• 5 Golpes comuns: Sinais de Alerta e Como se Proteger

    5 Golpes comuns: Sinais de Alerta e Como se Proteger

    Você passou meses construindo seu negócio. Investiu dinheiro, tempo, energia. E então, em questão de dias — às vezes horas — tudo pode ir por água abaixo por causa de um golpe bem aplicado.

    Não é exagero. De acordo com levantamentos do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), fraudes e golpes financeiros estão entre os principais motivos de prejuízo e fechamento de pequenos negócios no Brasil. E o problema se agrava porque os golpistas evoluem constantemente — enquanto muitos empreendedores ainda não sabem nem por onde começar a se proteger.

    Este artigo existe para mudar isso.


    Por Que Pequenos Empreendedores São Alvos Tão Fáceis?

    Antes de entrar nos golpes em si, é importante entender por que eles funcionam tão bem contra quem está começando ou gerenciando um negócio pequeno.

    A resposta é simples: você está sempre ocupado, sempre com urgência e muitas vezes sozinho na tomada de decisões. Não há um departamento jurídico para consultar, nem um financeiro para revisar contratos. A decisão é sua, e precisa ser rápida.

    Golpistas sabem disso. Eles exploram exatamente esse estado de pressão e isolamento. Quanto mais acuado você estiver — um boleto para pagar, um cliente que não chegou, uma máquina que quebrou — mais vulnerável você se torna.


    Os Golpes Mais Comuns Contra Pequenos Negócios

    1. O Falso Fornecedor

    Você recebe uma proposta incrível: produto de qualidade, preço abaixo do mercado, entrega rápida. O “fornecedor” tem site, CNPJ e até avaliações online (criadas por eles mesmos). Você paga o sinal — ou o valor total — e a mercadoria nunca chega.

    Sinais de alerta:

    • Preços muito abaixo da média de mercado (se parece bom demais para ser verdade, desconfie)
    • Pressão para fechar negócio rapidamente (“só tem estoque até hoje”)
    • Recusa em aceitar pagamento parcelado ou com nota fiscal
    • Site criado há poucos meses, sem histórico confiável

    Como se proteger: Pesquise o CNPJ no site da Receita Federal e verifique o tempo de existência da empresa. Busque o nome da empresa no Google acompanhado das palavras “golpe”, “reclamação” ou “fraude”. Peça referências de outros compradores e, se possível, visite o fornecedor pessoalmente antes de fechar contratos maiores.


    2. O Golpe do Falso Parceiro ou Investidor

    Um “empresário” entra em contato interessado em investir no seu negócio ou propor uma parceria lucrativa. Pede acesso a informações financeiras, planos de negócio e, eventualmente, um “adiantamento” para cobrir custos administrativos da parceria. Após receber o dinheiro, some.

    Variações desse golpe incluem propostas de franquias falsas, participações em “consórcios exclusivos” e promessas de financiamento com taxas milagrosas.

    Sinais de alerta:

    • Contato vindo do nada, sem indicação de alguém de confiança
    • Pedido de qualquer tipo de pagamento antecipado antes de formalizar qualquer contrato
    • Promessas de retorno muito acima do que o mercado pratica
    • Resistência a reuniões presenciais ou videochamadas com identificação verificada

    Como se proteger: Nunca transfira dinheiro antes de assinar contrato revisado por um advogado. Verifique a existência real da empresa do suposto parceiro. Se for uma franquia, consulte a ABF (Associação Brasileira de Franchising) para confirmar se a marca está registrada.


    3. Phishing e Golpes Digitais

    Você recebe um e-mail que parece ser do seu banco, da Receita Federal ou de uma plataforma de pagamento. O link leva a um site idêntico ao original. Você digita login, senha e, às vezes, até o código do cartão. Em seguida, sua conta é esvaziada.

    Esse tipo de golpe evoluiu muito. Hoje, os e-mails são bem escritos, com logotipos corretos e linguagem profissional. Alguns até personalizam a mensagem com o nome da sua empresa.

    Sinais de alerta:

    • E-mail com senso de urgência extremo (“sua conta será bloqueada em 24 horas”)
    • Endereço do remetente com pequenas variações (ex: atendimento@bancobrasil.com**.br.co**)
    • Links encurtados ou com domínios estranhos
    • Pedido de dados que a instituição real nunca solicitaria por e-mail

    Como se proteger: Nunca clique em links de e-mails suspeitos. Acesse sempre os sites digitando o endereço diretamente no navegador. Ative a autenticação de dois fatores em todas as contas do seu negócio. Mantenha antivírus atualizado nos computadores da empresa.


    4. O Falso Funcionário do Governo

    Uma ligação — ou até uma visita — de alguém que se apresenta como fiscal da prefeitura, auditor da Receita Federal ou agente do INSS. Eles afirmam que sua empresa está irregular e que você pode resolver tudo agora mesmo, pagando uma multa reduzida com desconto especial. O pagamento, claro, vai para uma conta particular.

    Sinais de alerta:

    • Pressão para pagamento imediato, sem possibilidade de prazo
    • Cobrança feita por transferência PIX ou depósito em conta de pessoa física
    • Recusa em fornecer número de protocolo oficial ou documento com carimbo

    Como se proteger: Órgãos públicos nunca cobram multas via PIX ou depósito em conta corrente. Toda notificação legítima tem número de protocolo que pode ser verificado nos canais oficiais. Em caso de dúvida, desligue e ligue diretamente para o órgão pelo número oficial no site do governo.


    5. O Golpe da Máquina de Cartão

    Muito comum no varejo físico. Um “técnico” aparece dizendo que sua maquininha está com problema e precisa ser substituída. A nova máquina é adulterada para capturar os dados dos cartões dos seus clientes — ou pior, os valores das transações vão para outra conta.

    Outra variação: alguém troca sua maquininha original por uma idêntica visualmente, mas que deposita os recebimentos em outra conta.

    Sinais de alerta:

    • Técnico que aparece sem agendamento prévio
    • Solicitação de senha administrativa da maquininha
    • Recibos de vendas que não batem com os depósitos

    Como se proteger: Só aceite manutenção ou troca de equipamentos agendadas diretamente pelo seu banco ou credenciadora. Confira regularmente o extrato de recebimentos. Nunca entregue a maquininha para terceiros sem verificar a identidade e o protocolo de atendimento.


    Dicas Gerais de Proteção: O Básico que Faz Toda a Diferença

    Além de conhecer os golpes, existem hábitos simples que criam uma camada de proteção robusta para qualquer negócio:

    Desconfie da urgência. Golpistas vivem da pressa. Qualquer oferta ou situação que exige uma decisão imediata merece uma pausa e uma segunda opinião. Negócios legítimos respeitam o seu tempo.

    Separe e-mails pessoais dos corporativos. Ter um domínio próprio para o seu negócio (ex: contato@suaempresa.com.br) dificulta ataques de phishing e aumenta a credibilidade nas suas próprias comunicações.

    Documente tudo. Contratos, combinados por WhatsApp, notas fiscais — guarde tudo. Em caso de golpe, quanto mais documentação você tiver, mais fácil fica acionar a Justiça ou o Procon.

    Tenha um contador e um advogado de confiança. Não precisa ser algo caro. Consultas pontuais com profissionais que você conhece podem evitar prejuízos muito maiores no futuro.

    Fale com outros empreendedores. Grupos de associações comerciais, sindicatos e até grupos de WhatsApp do seu setor são ótimas fontes de alerta. Quando um golpe circula na região, geralmente alguém já foi alvo e avisa os outros.


    Se Você Caiu em um Golpe: O Que Fazer Agora

    Primeiro: não se culpe. Golpistas são profissionais. Sua reação agora é o que mais importa.

    Registre um boletim de ocorrência na delegacia presencialmente ou pela Delegacia Digital do seu estado. Isso é fundamental para qualquer ação futura.

    Notifique seu banco imediatamente. Em casos de fraude financeira, quanto mais rápido você agir, maiores as chances de estorno ou bloqueio da transferência.

    Guarde todas as evidências — prints de conversa, e-mails, comprovantes, números de telefone. Não apague nada.

    Registre uma reclamação no Procon e, se aplicável, no site Consumidor.gov.br. Em casos de golpes online, o Ministério da Justiça também tem canais para denúncia.


    Conclusão: Informação é o Melhor Investimento em Segurança

    Nenhum sistema é infalível, e qualquer pessoa pode ser enganada. Mas empreendedores informados erram menos, se recuperam mais rápido e constroem negócios mais resilientes.

    Reserve um tempo para compartilhar este artigo com outros empreendedores da sua rede. Às vezes, uma informação simples chega na hora certa e evita um prejuízo enorme.

    Cuide do que você construiu. Você merece.


    Tem alguma experiência com golpes que queira compartilhar ou algum tipo de fraude que ainda não foi abordado aqui? Deixe nos comentários — sua história pode ajudar outro empreendedor.



Postagens recentes

Voltar ao Topo